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13 de setembro de 2016

O MAU POLÍTICO, ONDE ELE ESTÁ? O PAPEL DA IMPARCIALIDADE.



O poder político não se sustenta sem apoio de seus cidadãos. Em um país dito democrático, cabe aos cidadãos eleger e fiscalizar seus representantes políticos. Cabe a esses últimos, no uso do poder lhes conferido, atuar prezando pelos interesses coletivos respeitando, objetivamente, o que diz a Constituição. Cabe a todos os cidadãos, sem exceções, respeitar à Constituição, instrumento esse necessário para reger a vida em sociedade, no que concerne direitos e deveres individuais e sociais prezando pelos valores basilares de justiça, liberdade igualdade. Diante o exposto, cabe a seguinte reflexão: Qual o papel da imparcialidade política no cumprimento do dever de fiscalizar os representantes políticos? Quem é o “Mau Político”?
O poder político e o religioso foi e ainda é, em algumas civilizações, ligado pelo mesmo princípio, que é a concentração de poder nas mãos de um soberano, legitimado por “Deus” para substituí-lo em sua maternidade e paternidade em prol de seus filhos. Assim, se estabeleceram as primeiras monarquias em todo mundo - em torno de um líder espiritual e político.
Se considerarmos o aspecto arquetípico destas entidades psíquicas, diremos que a necessidade instintiva da entidade psíquica filho faz procurar e reconhecer no outro a entidade psíquica pai/mãe, ou seja, a natureza da espécie humana pede por um deus e facilmente o projetamos em quem, por associação, se apresente como um. Os faraós assim fizeram, os reis e rainhas depois, de modo mais sofisticado e disfarçados os gregos fizeram, as ditaduras fazem, e até regimes ditos democráticos o fazem, quando se reproduz o arquétipo paterno/materno no modo de se eleger e manter o poder político.
Quem seria o “Bom Político”? Obvio que seria aquele que prezaria pelos interesses coletivos. Consideremos que os representantes políticos refletem sua sociedade, seu tempo, sua cultura e até a evolução da humanidade e questionemos e analisemos sobre a origem e manutenção dos políticos que ainda temos.
Para fazermos este questionamento e essa análise é condição sine qua non a imparcialidade, a ausência de paixão, senão nos depararemos com nossos pontos cegos. Devemos lembrar sempre de que somos parte do objeto que analisamos.
Assim, ao nos aproximarmos do objeto veremos que os traços característicos que constituem o bom ou o mau político, de fato são os mesmos que nos constituem, de modo geral. Somos seres de conflitos, ambivalentes por natureza. Somos bons e ruins ao mesmo tempo.
Como uma espécie naturalmente de grupo, para vivermos bem e em harmonia, precisamos gerenciar nossos impulsos egoísticos e destrutivos. Na melhor das hipóteses, dar um destino salutar e razoável a tais impulsos, o que na Psicanálise denomina-se de SUBLIMAÇÃO. No Islamismo a esse gerenciamento do conflito interno ou “Guerra Santa” denomina-se de Jihad, conceito tão distorcido pelos extremistas islâmicos, que fazem do Jihad o motivo e justificativa para atacar e submeter aos outros, guerrear contra os infiéis, os que se opõem à sua forma de ver e atuar no mundo. 
O que fazem os extremistas islâmicos, nós o fazemos em alguma medida. Vemos o mau sempre projetado no outro. O mau que atua sobre o político corrupto é o mesmo que atua quando alguém corta fila, quando fica com o troco, enfim, quando se é desonesto.

Quem seria o “Mau Político”?
Para refletir esse questionamento eu vou citar o personagem “Coronel Saruê” da novela das 21 horas da Rede Globo, Velho Chico. O primeiro a incorporar o Coronel Saruê, foi Jacinto Sá Ribeiro, personagem vivido pelo ator Tarcísio Meira, na primeira fase da novela. O seu filho Afrânio, personagem vivido nessa primeira fase, por Rodrigo Santoro, fugia dessa entidade psíquica que seu pai um dia incorporou. (Ressaltando que, quando uso o termo entidade psíquica, não me refiro a espíritos, mas aos traços arquetípicos, ou seja, aos elementos naturais da espécie humana, presentes no inconsciente coletivo). Entretanto, Afrânio não tinha consciência de que o distanciamento afetivo do pai refletia o distanciamento da consciência do próprio “mau” que ele carregava em si – a figura arquetípica que cunhou o Coronel Saruê. 
Com a morte do pai, Afrânio foi invadido pelo sentimento de culpa que carregava devido ao distanciamento afetivo entre os dois. Para se redimir desse sentimento e se aproximar do pai morto, sua personalidade consciente foi invadida pelo Coronel Saruê, entidade psíquica que habitava o seu inconsciente. Desde modo, Afrânio vivendo o Coronel Saruê reproduziu a mesma entidade psíquica ativado em seu Pai Jacinto. 
Por outro lado vivendo o Coronel Saruê em sua personalidade consciente é o Afrânio quem permanece marginalizado no inconsciente. Entretanto, tudo o que está dissociado pede uma compensação, e o lado Afrânio de sua personalidade faz pressão para retornar à consciência. Isso é observável nos momentos em que ele vivencia os conflitos internos. Atualmente, quem está incorporando o Coronel Saruê é o personagem vivido pelo ator Marcelo Serrado, o Deputado Carlos Eduardo.

25 de maio de 2014

Quem sou eu e quem é o outro?


O inconsciente é a maior parte do que somos. 

Sendo assim, quem somos nós?

E temos ainda a pretensão de achar que conhecemos o outro. 
Sabemos de nós o que se repete como um padrão de funcionamento. 
Nossos "Outros" são potenciais de existência e ação. 

E o outro quem é? 

Quem são estes outros? 

Quantas vezes nos surpreendemos pensando, sentindo e agindo de forma atípica? Somos nós também. Tão diferente que parece outro, o outro. 
Quanto melhor lidamos com estes outros, que também fazem parte do que somos, melhor podemos lidar com os outros fora de nós.

Por Marcelo Bhárreti.

20 de maio de 2014

Receita para criar filhos?



Não existe receita de bolo na criação de filhos. 
Considerando que a personalidade é resultado do encontro dinâmico entre a natureza e o meio, o que cabe aos pais é fazer o melhor possível. 
Penso este melhor como sendo a combinação equilibrada de amor e limite.
No mais, no que concerne, a evolução espiritual de cada um, somos todos responsáveis pelo que somos e nos tornamos. 
Pai e mãe são funções, no fundo somos todos irmãos e companheiros de viagem.

Por Marcelo Bhárreti.