Hoje vamos analisar a música escolhida para introdução de nosso encontro filosófico. Esta análise não foi feita lá em nosso evento. A fizemos aqui como fomento para que no próximo encontro possamos conversar sobre a versão da música de Eros Ramazzoti cantada por Selma Reis. Postamos o clipe do Eros ai acima. Abaixo antes de clicar no continue lendo para ver alguns apontamentos que fiz em relação a letra você vão ter acesso a um clipe feito tendo como base a interpretação e a versão da música na voz magistral de Selma Reis.
A letra analisada é nossa versão em português e nos inspira focar o auto-conhecimento como ferramenta importante para mudanças em nosso sistema social. Se realmente queremos uma vida mais, justa, amorosa, cheia de alegria e felicidade temos de conhecer quem somos, o que nos toca a "alma" quais nossas verdadeiras vocações, reconhecer nossos limites, eventuais áreas de defeito e integrar e agregar o máximo de potencialidades para servirmos nós próprios (sem esperar pelos outros ou por condições ideias) de vetor de transformação em nossa própria vida desencadeando (ainda que discretamente) através da perseverança de aplicarmos no cotidiano os nossos mais nobres valores de respeito a diferença e partilha do Amor.

Anderson Muniz




Selma Reis
Se Bastasse uma canção

Se bastasse cantar com ternura
Pra acalmar esses dias
Em que os homens perderam a doçura
De cantar morreria
Mais quem sou eu?
Mais quem sou eu?

Nesta primeira parte da música ela me remete a sensação de impotência. Não ficamos por vezes assim? Cansados olhando para o mundo ao redor e só observando tudo se desagregar e se fragmentar. Aí ela nos coloca aquela perguntinha que sempre usamos para não pensarmos que podemos mudar o mundo: quem sou eu? E dizer que nada!


Simples cigarra
Em que a voz é escrava
Da melodia

Aí ela responde a pergunta reconhecendo seus limites. Qualidades e defeitos. Sou uma simples cigarra e minha voz está condicionada a melodia...ah...há: o biológico dela (voz) está escravo do espírito (melodia) do transcendente que pode ou não estar sendo bem usado. Vejamos então como este espírito está.

Se bastasse a canção da esperança
Pra inundar de alegria
A tristeza de nossas crianças
De cantar morreria
Mas quem sou eu?
Mais quem sou eu?

Ela está com o espírito meio inquieto. Não parece conformada com o estado de coisas em que a vida social humana está. Ela ainda se pergunta e ainda se questiona se pode realmente intervir. Afinal de contas quem é ela para intervir numa gigantesca fera que parece incontrolável fonte de tristezas até para as crianças?

Simples cigana nas sendas profanas da poesia
Ela é também um canal de contato do subjetivo psicológico com as forças imanentes, transcendentes, o divino o Deus! O bem comum! O amor


Se bastasse cantar compassiva
Pra aplacar a agonia
Nessas terras de gente cativa
De cantar morreria
Mas quem sou eu?
Mas quem sou eu?

Como atuar nesta conjuntura de fragmentação? Em que a ordem parece sre cada um por si. Em que todo mundo está tão cheio de ganância e que o Poder é usado pra oprimir e manter as pessoas cativas? Ela continua se perguntando e descobrindo-se


Simples agente da estrela regente
das sinfonias

Ah!! Eu sou um canal do Amor! Sou um canal sim da espiritualidade! Transcendência Amor Divino!! Elementos celestes existem sim!! Se eles existem posso ser um agente Deles mesmo que eu me ache indigno, pequeno, insignificante!! Esta força de Deus integra tudo e todos então ela está dentro de mim se está dentro de mim posso fazer minha parte! Se posso fazer minha parte, posso ajudar a despertarem outras partes!! E aí podemos mudar tudo para melhor!! E para mudar para melhor é preciso o que?


Ë preciso muito, muito mais
gente cantando
É preciso muito, muito mais
É quase um esforço sobre-humano
Pra conseguir mudar os planos
É preciso muito, muito mais gente
Cantando

É preciso que mais pessoas acreditem no Amor, em Deus e num mundo melhor! É preciso que mais pessoas espalhem a felicidade. É preciso vivenciar novos valores!!!


É preciso muito, muito mais
Cantar a paz no mundo inteiro
É quase um esforço derradeiro

A estrofe acima é auto-explicativa....!


Se bastasse cantar com brandura
Pra estancar a sangria
Pro universo viver com candura
de cantar morreria
Mas quem sou eu?
Mas quem sou eu?
Simples cantante das noites
dançantes
Das fantasias

Ela segue se integrando, se descobrindo e espalhando a mensagem de que podemos mesmo com defeitos ir nos mudando!!







É preciso muito, muito mais gente
cantando
É preciso muito, muito mais
Cantar, cantar que ainda é tempo
Uma canção sem sofrimento

Então vamos continuar espalhando a mensagem e trazendo mais pessoas para vir para ouvir!! Espalhar esta mensagem é libertador não nos causa sofrimento é viver para ser Feliz!

É preciso muito, muito mais gente
Cantando
Ë preciso muito, muito mais cantar
com o céu,
Com os movimentos,
Cantar com a luz, com os elementos

Vamos nos integrar a natureza, ao amor, aos nosso semelhantes e a Deus!!! A canção do Amor é de integração!


Enquanto espero
Sigo cantando, e cantando e cantando
Eu vou vivendo

Mas nada de esperar situações ideais. Continuo fazendo minha parte e acreditando!



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PARTICIPAÇÃO DO LEITOR

Esta semana estamos discutindo como a música pode atuar na (des)integração da diversidade. Ai vale entendermos o diverso como o diferente e que está dentro e fora de nós. Ao aceitar alguém muito diferente de nós e convivermos bem com esta pessoa podemos ao mesmo tempo estar acolhendo aspectos nossos que até então, não conseguíamos encarar.

A música pode ajudar ou não no processo de aceitação. A depender da mensagem ela pode servir como fertilizante para adubar as arvores da fraternidade ou apenas reforçar diferenças e servir como veneno para este pomar.

A participação do Yvisson não está relacionada a análise de uma música específica. Porém achamos significativo postá-la esta semana para que as palavras do artigo, por ele enviado, possa soar em nossos corações qual o refrão de uma canção que precisa ser repetida sempre: "Homossexualidade é normal" " Anormal é atrelar e limitar o nobre sentimento do amor aos órgão genitais". Alguém arrisca fazer uma composição com este mote?

QUEM É O YVISSON?
Yvisson Gomes é Psicólogo e psicanalista alagoano.
CRP 15/1795
você pode manter contato com ele pelo e-mail: yvissongomes@hotmail.com


LEIAM O ARTIGO ESTÁ SUSCINTO E BACANA!!!

* Saliento aos leitores que o artigo científico nos foi enviado dentro das normas acadêmicas. Aqui fizemos alguns ajustes para a linguagem deste espaço sem alterar o conteúdo!
Anderson Muniz





Psicologia e Diversidade Sexual



Resumo

Refletir sobre a maturidade e o seu processo de tolerância, sabendo-se que tolerar significa aceitar, respeitar as necessidades que o tempo impõe ao ser humano, é uma forma de também refletir sobre o tema da Psicologia e Diversidade Sexual. O presente artigo faz uma elaboração de ideias que se direcionam ao ser homossexual e afins. Graças à resolução do Conselho Federal de Psicologia que data de 22 de março de 1999 (001/99) os profissionais desta área estão eminentemente vetados de rotular a homossexualidade de patologia ou perversão. No corpus do artigo encontramos as manifestações contra a este tipo de “amor que não ouça dizer o nome”, parafraseando o escritor irlandês Oscar Wilde. Listamos a importância desta resolução contra a homofobia e possíveis interlocuções com a história do homem e o pensamento eugenista, culminado na revolução sexual das décadas de 70 e 80 do século passado. Este artigo, com finalidade introdutória e publicado inicialmente no site do Conselho Regional de Psicologia de Alagoas (www.crp15.org.br), tente a demonstrar que a Psicologia enquanto estatuto de ciência evoluiu nos diferentes aspectos epistemológicos que a ela competem, bem como nos processos sociais inerentes à contemporaneidade.




Diversidade é uma palavra que por si só já contém elementos importantes a serem descritos. Pode-se dizer da qualidade de diverso, de variedade e de multiplicidade, no qual esses elementos cruzados aqui, neste artigo, referenciam-no no âmbito da sexualidade, de suas manifestações e, também, na perspectiva da práxis profissional do psicólogo mediante os termos enunciados.
É de nota que se comemora uma década da resolução do Conselho Federal de Psicologia sobre a homossexualidade. Essa decisão é a de número 001/99, datada em 22 de março do ano de 1999. O que reza então essa lei aos profissionais de psicologia? E quais as visões que o mesmo pode aferir a identidade sexual dos seus pacientes enquanto homossexuais e afins (gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis – GLBTT)?

Nas considerações preliminares da lei subscreve-se de que a noção de perversão, anormalidade e patologia direcionadas à homossexualidade serão cabalmente eliminadas, competindo ao psicólogo esclarecer esse tema e evitar qualquer forma de discriminação e preconceito. Convém lembrar que antes se escrevia “homossexualismo”, grafia que foi abandonada pela Organização Mundial de Saúde por não se tratar de doença mental (ismos), passando a ser escrita então como “homossexualidade”, a partir de 1° de janeiro de 1993.

Em síntese, a resolução do CFP diz que o psicólogo deverá evitar estigmatizações referentes a práticas homoeróticas e principalmente banir o termo “cura”, lê-se: “Parágrafo único - Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades” e em outro fragmento: “Art. 3° - os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados”. Com essas implicações a homossexualidade, vide também diversidade sexual, não será desde então colocada sob o epíteto de doença, marcando uma possibilidade de argumentações mais refinadas naquilo que diz respeito às relações homoafetivas.

Nesse ínterim, aquilo que se torna distinto possui características universais, algo que pode se manifestar através da arte, da música, da literatura e, especialmente, de uma consciência coletiva e psíquica.
Com essa visão nós, psicólogos, somos levados a considerar que além de um comportamento e pensamento homoerótico existem filigranas a serem pesquisadas, e isso nos faz pensar de onde nasce ou nasceu essa construção de preconceito sobre o diverso, sabendo que em qualquer visão histórica, o alter, o diferente sempre tiveram um olhar voltado ao “pecaminoso” e que corroborando com tal, veio o pensamento eugenista que se baseava no controle social e médico de pessoas rotuladas de sãs e outras de anormais.

De acordo com alguns pensadores modernos, tais como Michel Foucault, o homoerotismo está entranhado na história da humanidade e essa mesma história diz das relações de poder, na visão patrilinear, formando-se na tentativa de banir o diferente, o estranho, do cotidiano das pessoas. Temos recortes judaico-cristãos como o episódio da destruição das cidades de Sodoma e Gomorra, devido a práticas sexuais ilícitas ou, indo um pouco além, a eliminação “do amor que não ouça dizer seu nome” (Oscar Wilde) nos campos nazistas, colocando os “anormais” no epicentro da intolerância. Neste, foram os aspectos da proscrição que incomodavam e que eram ameaçadoras, pois mexiam com a ideologia de “pureza racial” vigente na época.

A construção da dignidade homoerótica se fez ao se mostrar que qualquer forma coercitiva de poder era uma lembrança à submissão eugenista da ciência médica do século 19, vindo assim a deflagrar em preconceitos. Nos idos dos anos de 1970-80 e assim por diante, a identidade da diversidade se fez presente. Sair do armário virou um lema norte-americano e mundial e fez com que militantes gays se colocassem como partícipes de sua própria história. O verdadeiro “gay power” foi-se formando e estabelecendo a raiz daquilo que viria a ser a erradicação das leis que teriam como pressupostos básicos a patologização das manifestações homoafetivas. Daí o CFP e sua lei 001/99, a se conscientizar das novas epistemologias que se tornavam necessárias à modernidade.

Cabe frisar que as resoluções contra a descriminalização da alteridade (gay), entendendo-a como concepção que parte do pressuposto básico de que todo o homem interage e interdepende de outros indivíduos, que ao mesmo tempo pode ser o igual, pois não podemos elidir algo que é inseparável ao nosso meio social, que essas resoluções mesmo assim, não impedem de haverem manifestações de preconceitos contra os homossexuais e afins (homofobia), e isso deve sempre estar claro aos psicólogos como um alerta de que a mudança de pensamento se dará de dentro para fora, requerendo de nós, e da sociedade como um todo, um ajuste de comportamento pautado na dignidade e no conhecimento da liberdade de expressão sexual através de uma auto-análise e de uma visão ideológica plurirreferenciada com finalidade a uma prática profissional mais consciente.

No mais, não se pode deixar de esclarecer que qualquer homossexual e afins que desejem apóio e orientação psicológica não serão excluídos, pois como nos diz o psicólogo Odair Furtado, doutor em psicologia social pela PUC-SP, que “é equivocada qualquer afirmação de que os psicólogos estão proibidos de atenderem homossexuais que busquem seus serviços, incluindo a demanda de atendimentos que possam ter como objeto o desejo do cliente de mudança de orientação sexual, seja ela hetero ou homossexual. No entanto, os psicólogos não podem prometer cura, pois não podem considerar seu cliente doente, ou apresentando distúrbio ou perversão”.


BIBLIOGRAFIA

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CRP 001/99 de 22 de março de 1999. http://www.pol.org.br/pol/export/sites/default/pol/legislacao/legislacaoDocumentos/resolucao1999_1.pdf. Acesso em 25/11/09 (Conselho Federal de Psicologia).

FURTADO, Odair. Instruções sobre a Resolução 01/99 devido a manifestações recentes de psicólogos e parlamentares do Rio de Janeiro e conseqüente repercussão matéria. http://portugalgay.pt/politica/brasil01.asp . Acesso em 26/11/09.

WILDE, Oscar. Aforismos. Rio de Janeiro: Clássicos Econômicos Newton, 1997.

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DO PIOR AO MELHOR VII - TEMA DA SEMANA: MÚSICA - INSTRUMENTO DE (DES)INTEGRAÇÃO DA DIVERSIDADE

PARTE VII - DO PIOR AO MELHOR!

Em diversos episódios desta nossa saga a música tem aparecido. Depois de ler o atual episódio reflita sobre a coincidência de estar tocando certas músicas em determinados momentos dos personagens. Será que elas refletem seus sentimentos? será que elas estão convidando-os a refletirem sobre suas angústias? será que trazem soluções e proposições?
E em nossas vidas também acontecem momentos em que a música ao acaso nos diz algo. Será que percebemos esta mensagem? Quantas vezes estamos tristes e toca uma música no rádio e ela parece nos dizer algo?
Então tá feito o convite: depois de ler, ouça as músicas deste episódio e pense sobre isso!!!

RECAPITULANDO:

No episódio anterior Nataly contava a José (que ela chama de Júnior) sobre um tio que ela gostava muito e que era gay. A garota falava sobre diversos acontecimentos que antecederam o suicídio do querido parente.

- Como vc sabe disso?

- Dois dias antes dele se matar ele se encontrou comigo. Eu estava andando na Orla e ele com uma cara de deprimido também passeava por lá. Eu sempre gostei dele e ai o chamei para tomar uma água de coco. Dei muitos beijos nele. Ai quando a gente tava no quiosque ele pediu pra a gente andar na água. Enquanto andávamos com os pés no mar ele chorava e me pedia perdão porque ele era homossexual, disse que fez coisas muito horrorosas e que escreveu um livro sobre estas passagens ruins, porque precisava arrancar aquilo dele. Ele me pediu que ligasse para ele para nos encontrarmos que ele talvez me desse o livro. Antes do velório eu fui para a casa e fiquei fazendo uma vistoria nada encontrei. Durante o velório eu fui até o quarto dele e vi um envelope de papel pardo grande do tipo de correspondência. Como ele era professor imaginei que fossem provas que ele corrigiu e deixou dentro daquele envelope grande. Ai fui contudo para pegar e mostrar para as pessoas para entregar aos alunos que tiveram o privilégio de ter uma última correção.

- E ai?

- E ai que eram várias cartas que ele fez contando como se sentia e como tinha vivido até ali. Entre elas estava a primeira que eu li e que falava do suicídio...

- pêra ai...ele não foi assasinado?

- Eu considero que o suicídio dele tem um dedo de todos nossos gestos de ódio e repulsa aos homossexuais. O preconceito social. O preconceito da geração dele e a pressão para parecer o que não é....Isso mata a auto-estima da pessoa e mata a relação dela com a vida....

CLIQUE ABAIXO E CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA



José continuou interessado na conversa de Nataly e achava que tudo que ela contava daria uma ótima novela ou filme. Ao mesmo tempo ele lamentava que estivesse ouvindo uma história da vida real. Ele interrompeu-a e indagou:

- Estas cartas então eram o livro?

-É mais ou menos. As cartas foram os primeiros desabafos que ele fez de forma solta. Existem papel dele desde a adolescência o livro dele na verdade é um caderno que contém as anotações mais recentes.

- Olha que coisa curiosa!! Quanto sofrimento dele. Agora acho que isso não justifica um suicídio. Ah...c vai me desculpar mas não concordo não que ele foi assassinado por nós! Me inclua fora dessa! Ele fez opções e acabou não agüentando e aí resolveu “abreviar” a vida. Se formos por este raciocínio todos nós contribuímos para a fome no mundo, todos contribuímos para diversos assassinatos e não só de homossexuais. E quando você, Nataly disse que ele tinha sido morto, pensei que ele tinha sido vitima de um daqueles crimes tipo o rapaz namora com o viado – desculpe – o gay e ai mata pra pegar dinheiro....

- Sei que é difícil Júnior você entender por ser homem e hetero, mas acho que em um nível profundo somos todos sim culpados pelas inúmeras mortes, pelas patologias diversas a violência e o preconceito que matam mulheres, pobres e homossexuais. Acho sim que algum grau de marginalidade nós temos. Digo isto porque quando meu tio resolveu se separar a família foi a primeira a ficar contra ele. Vários amigos de infância deram as costas, irmãos, mãe, apenas o filho ficou ao lado dele....que ironia, justamente o filho que ele mais atacou quando namorava escondido o carinha que trabalhava numa TV. Pois é....quem realmente sofre preconceito e é de bom coração entende ainda mais os dramas alheios!

- Ce quer dizer que eu preciso nascer mulher para entender sua tese?

- Ou nascer gay...kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Os dois caíram na risada. E lembrando desta risada gostosa José voltou a si e viu pela janela os primeiros raios de sol. Ele resolveu dormir no rádio tocava: Trough the Rain na voz de Maria Carey!! Por coincidência uma leve chuva caia mesmo com o sol. Ele pensou: sol e chuva casamento de viúva! Lá fora deve estar aparecendo um arco-íris e disse para si mesmo...to muito esgotado...o que fiz esta noite parece que andei milhões de quilômetros, aquele sono me cansou, os pensamentos me cansaram eu estou um cansaço só! Vou dormir!!




Enquanto José passava pelo drama e tinha contato com questões internas dele desde o último encontro com a namorada, Adriana experimentava acontecimentos estranhos e vivia a expectativa de saber se ele a encontraria durante o fim de semana.
Ela conheceu no ônibus Ângelo um cara muito espirituoso. Coincidentemente ele estava indo para o cinema no dia que era um dos mais infelizes da vida dela, os dois acabaram puxando assunto e se conheceram (ver do Pior ao Melhor V). Desceram no mesmo shopping e resolveram assistir ao mesmo filme: Avatar!

- E ai moça gostou do filme?

- Olha Ângelo achei que ia ser meio chatinho pelo início, mas foi muito rico e me surpreendi com altos toques antropológicos....

- Pois é este conceito de sentir empatia pelo diferente, conviver com o outro e abrir-se para se permitir a pensar de outra maneira que não seja o velho esquema de oposição e conflito desprovido de aproveitamento tipo: certo ou errado, preto ou branco...

- Esta proposta de integração que o filme traz para mim foi o mais bonito. Pena que o filme não me fez esquecer a minha realidade.

-E qual é a sua realidade? A de que a senhora é quase o World Trade Center e deve ser cobissadíssima pelos abutres heterossexuais que querem devorar este prédio de carne humana...kkkkkkk

Adriana morria de rir com o jeito que o rapaz falava e no fundo sentia-se feliz daquele encontro inusitado.

- Angelo vou te dizer um segredo: se eu pudesse congelava este momento. Mas tenho de voltar para o mundo real.

-O que é real gatinha? Qual a cigana que te enganou dizendo que existe essa realidade ai que você acredita e que ela é igual a minha realidade? ou...

-Eu sei que a minha realidade é diferente da sua. Agora então terei de entrar num universo de realidade muito pior que o seu!! Se gay é mal visto imagine como eu vou ser vista! Vou ser uma aberração!

Adriana encheu os olhos de água. Imediatamente Ângelo a abraçou e disse:

- Mesmo que você seja um Lobisomen, a sua obrigação enquanto vida tiver será de quebrar o preconceito contra esta espécie de ser que nós seres humanos venhamos a ter. Bem to dizendo isso caso você não apresente instintos altamente destrutivos durante a transformação. A ponto de depois de transformada ir matando todo mundo....kkkkkkkk e se vc raciocinar também...kkkkkkk – disse Ângelo

- Você é sempre tão corajoso assim?

- Não eu também tenho carne e osso. Só que depois de mais de 23 anos observando e sendo alvo de preconceitos o couro fica grosso e agente aprende como “tanger” os verdadeiros monstros da sociedade.

- Bom saber que eu poderei tanger as pessoas de perto de mim....

-Ei eu não disse que aprendi a tanger as pessoas de perto. Aprendi a colocar longe o preconceito que as pessoas possuem e que no fundo nos as machucam muito! E a também me afastar daquelas que se identificam e fazem questão de ser o próprio preconceito. Porém ainda sofro com questões graves na área de aprovação social. Afinal como diz uma cena do filme revólver: “a gente sempre está atrás de aprovação e tapinhas nas costas...” esta agora é minha área de trabalho: não dar a mínima para aprovação alheia se ela não tiver sintonia com meus valores da alma.

-Olha...se eu não tivesse pegado ônibus com você eu diria que você é um político...kkkkkk e sobre esta questão da aprovação dos outros eu terei, com o meu problema, de enfrentar isso...

Enquanto conversavam os dois andavam até o ponto de ônibus. O busu do Ângelo chegou e eles tiveram de se separar. Ela pegou o telefone dele, mas ele tanto tagarelou que esqueceu de pegar o dela. Aí ficou nas mãos de Adriana e do “destino” uma nova conversa. Muito mais nas mãos do destino, porque a moça pegou o bilhete com o número do celular e pensou que colocou no bolso de trás. Na verdade o papel caiu ali mesmo no ponto.

Quando chegou em casa, Adriana emocionalmente exausta ainda presenciou uma discussão do irmão e da mãe. Ela deu um beijo nos dois, que não entenderam nada e foi para o quarto. Entrou em sua suíte e ficou sentada ouvindo Robie Williams a música Sexed up e Angels ela programou no computador para ficar repetindo. Fechou os olhos e sentiu a água cair e limpar tudo.


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Depois da ducha deitou e ao deitar lembrou e falou alto:

- Eita sexta-feira eu tenho uma entrevista para conseguir um emprego!

Novo dilema: ir ou não a entrevista. E se ela conseguisse o emprego e tivesse de fazer todos os exames? E se tivesse de revelar através do trabalho que ela era soropositiva?
Ah...melhor dormir o outro dia ainda seria a quarta-feira.
Ela pensou em José. Será que ele vai me ligar sexta? Será que vai me ligar amanhã? Será que ligou aqui para casa?- Ela nem imaginava que o coitado estava em casa curtindo uma “ensolação” e às voltas com o dilema de ligá-la e de ser também ou não portador de HIV.
Adriana agarrou no sono e só acordou no outro dia uma hora da tarde com sua mãe batendo na porta do quarto dizendo:

- Morreu menina!! Não vai nem almoçar? Levanta Adriana

-Já vou, já vou!!!

-É bom vir mesmo porque a gente vai receber visita já, já. Minhas amigas lá do trabalho vão passar aqui e depois nós vamos sair.

Adriana fez escovou os dentes, tomou outro banho e desceu as escadas indo para a cozinha. A casa de Adriana era muito confortável era um sobrado com 3 quartos suítes, uma sala e uma varanda em cima e na parte de baixo ficava a cozinha, uma sala de visitas um quarto e um banheiro social e também uma área para lavar e passar as roupas. Adriana, antes de pegar aquele “bendito” resultado planejava passar na seleção para o trabalho, juntar dinheirinho e comprar um apê para ela. Pensava em morar só ela e o Zé ou então ela sozinha. Tinha até conversado com o namorado sobre a possibilidade dos dois dividirem o apê. Ele gostou mas ao mesmo tempo parecia resistir. Principalmente quando ela falou das tarefas domésticas serem divididas!
Adriana pensou consigo: Agora não vou mais ter nada disso. Ao mesmo tempo ouviu uma voz perguntar: Porque não? Tá morta? O resultado impede você de adquirir imóveis?
Ela respondeu a voz: Imóveis o HIV não impede mas pode me impedir de conseguir um emprego!!!

Adriana olhou a mesa do almoço e tudo parecia super gostoso....

Escrito Anderson Muniz (sem revisão - aceito sugestões e correção)


CONTINUA NA PRÓXIMA QUARTA A PARTIR DAS 15H



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TEma DA SEMANA : MUSICA - INSTRUMENTO DE (DES) INTEGRAÇÃO DA DIVERSIDADE


REDESCOBRIR





A composição de Gonzaguinha na interpretação de Elis Regina nos convida a entendermos a nossa história individual e coletiva como parte de 3 dimensões: biológica –subjetiva (psique)- transcendente (Divino).
Estas partes que aqui fragmentamos são apresentadas de maneira integrada em diversos versos a todo tempo na letra e neste vídeo.
CLIQUE ABAIXO E CURTA UMA DAS ANÁLISES FEITAS NO NOSSO ENCONTRO FILOSÓFICO DE MÚSICA





Elis Regina
Intrepretando composição de Luiz Gonzaga Júnior (Gonzaguinha)
Vídeo de especial da rede globo (1980)

Como se fora brincadeira de roda, memória

Brincadeira- subjetivo, lúdico que nos ajuda a ter contato com nosso animal e nosso lado instintivo// círculo símbolo de completude // memória – área de contato com nossas lembranças e também com questões do incosciente

Jogo do trabalho na dança das mãos macias

O lúdico que nos leva a servir “levemente” os irmãos e irmãs // o tato (das mãos macias) que nos liga a nossa dimensão animal integrado ao subjetivo e transcendente ato de dançar

O suor dos corpos na canção da vida, história

O nosso “lixo corpóreo” – suor é adubo para a vida e nos estimula nesta canção // história nos convida a ter um contato com a dimensão subjetiva de construção de tempo e espaço e de ligação coletiva com tudo e todos// estamos a todo tempo produzindo história

O suor da vida no calor de irmãos, magia

A vida produz adubo e fetiliza-nos o tempo todo // o contato com o transcendente é a chave para perceber e potencializar os benefícios disso é a magia!

Como um animal que sabe da floresta memória

Nossos aspectos biológicos sabem e se comunicam com o nosso subjetivo, principalmente o nosso inconsciente// esta floresta de possibilidades

Redescobrir o sal que está na própria pele macia

Percebermos novamente que somos parte da natureza biológica estamos e somos parte do ecosistema do planeta (o sal da terra está em nosso suor, o calor está no dar as mãos, as línguas disparam o doce das glândulas salivares, etc...)


Redescobrir o doce no lamber das línguas, macias

Aprofundar esta integração de homem natureza individual e coletivamente

Redescobrir o gosto e o sabor da festa, magia

Construir mais seguramente um estado de Felicidade, equilíbrio, serenidade, gratidão e alegria

Vai o bicho homem fruto da semente, memória

A nossa parte natureza integrada com o subjetivo // animal – sombra integrdos

Renascer da própria força, própria luz e fé, memória

Integrar os aspectos a serviço da luz, do verbo, da verdade, do Self, da vida!

Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós, história

Somos parte do todo e o todo está em nós!

Somos a semente, ato, mente e voz, magia

Nosso Self traz a semente do Anjo, nosso atos podem nos ajudar (ou não) a transcender// a força reside em nossa mente

Não tenha medo, meu menino bobo, memória

Medo como paralisia é bobagem. Temer por temer e nunca se desafiar é uma besteira perpertuada! afinal como ela coloca embaixo o temor inicia na própria pessoa então ele só pode terminar em nós mesmos!!!

Tudo principia na própria pessoa, beleza

Vai como a criança que não teme o tempo, mistério

Amor se fazer é tão prazer que é como se fosse dor, magia

Imaginemos viver e fazer o amor o quão prazeroso é?! Mas num mundo mergulhado em outros valores isso pode parecer e ser confundido com dor!// o contato com o divino é necessário para distinguir este caminho de transformação da dor em Amor!

Como se fora brincadeira de roda, memória

Jogo do trabalho na dança das mãos macias

O suor dos corpos na canção da vida, história

O suor da vida no calor de irmãos, magia




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AVISO SOBRE A SAGA: DO PIOR AO MELHOR!





AMIGOS EXCEPCIONALMENTE ESTA SEMANA A VII PARTE DA ESTÓRIA DO PIOR AO MELHOR VAI IR AO AR NESTA QUINTA A PARTIR DAS 15H!!!

ACOMPANHE A SAGA DE ADRIANA E RELEMBRE O QUE O PERSONAGEM JOSÉ ESTÁ PASSANDO DEPOIS DE SABER QUE SUA GATINHA É HIV POSITIVO!!



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Um Índio - Quando podemos percebê-lo


QUEM SÃO OS ÍNDIOS DE ONTEM E DE HOJE?

Um Índio
Caetano Veloso
Composição: Caetano Veloso

Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante

Um índio representa os VANGUARDISTAS que estão além do tempo da maioria e por isso mesmo são mal compreendidos. Têm missão com a coletividade e irradiam luz, servindo de guia, de referencial.

Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

Quando nos saturamos de determinados paradigmas...
Quando percebemos incoerências, incongruências e desintegrações...
Quando questionamos o real significado de nossas existênicas...
E percebemo-nos fragmentados e em desarmonia com o universo...

Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá

Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico

Quando tirarmos véus de nossa ignorância...
Só assim teremos condições de perceber ÍNDIOS...
O seu real valor...
Perceberemos como referenciais de integração...
Integrados psicologicamente, com a diversidade e com a vida em suas múltiplas dimensões...
Harmônicos com a natureza dentro e fora dele, perfeito equilíbrio.


Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer
Assim, de um modo explícito

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio

De tão a frente do seu tempo parecerá um ser advindo de outro planeta...

E perceberemos que um dia, hierarquizando a diferença, numa postura etnocêntrica e defensiva não demos o real valor que o possuía por não conhecê-lo em essência.
Outrora, devido aos nossos preconceitos e projeções, acusamo-lo de impostor, de fraude, de pevertido, de vulgar, incivilizado, primitivo e colocamos às margens de nosso meio social por considerarmo-los inferior a maioria, por não corresponder a normalidade paradigmática regente.


Quando tivermos condições de pecebê-los parecerá uma REVELAÇÃO...
Daremos conta de nossa 'cegueira' de outrora, do nível coletivo de maturidade processual.
Então ficaremos surpresos com os ÍNDIOS de outros tempos e teremos condições de perceber os ÍNDIOS de agora, os VANGUARDISTAS por trás dos incompreendidos e atacados que seguem o suas consciências, seu coração na realização dos ideais em função da coletividade.




Marcelo Bhárreti

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