28 de fevereiro de 2010

NAMORO E HIV! DÊ SUA OPINIÃO



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Além de ajudar a escrever a Série DO PIOR AO MELHOR. Você contribui com o debate sobre o preconceito que gira ao redor das pessoas portadoras de HIV. Expondo sua opinião sobre se você, na condição do personagem José ficaria ou não com a Adriana sabendo que ela possui o vírus; nos abre a possibilidade de refletir sobre a vida. Como estamos vivendo o que priorizamos em uma relação conjugal, que tipo de sentimentos nutrimos em relação aos portadores desta doença que atualmente é perfeitamente controlável.
Agora, tente pesquisar sobre o tema antes de responder!! Sinta-se o próprio José!
Se ainda não sabe do que se trata e acha que estamos aqui falando "grego" então lá vai os links para você acessar e começar a ler os 10 capítulos desta estória!

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27 de fevereiro de 2010

A VIDA NAS RUAS

José de Oliveira Júnior

A VIDA NAS RUAS: UM OLHAR SOBRE O COTIDIANO DOS MENINOS E MENINAS MORADORES DE RUA DA CIDADE DE MACEIÓ-AL.



Caro internauta a partir de agora estarei mais presente no blog, já havia postado algumas poesias e neste momento posto um artigo acadêmico sobre a vida nas ruas, um estudo onde procuro discutir a condição dos meninos e meninas moradores de rua. A vivência com essa população excluída da cidade de Maceió me fez pensar sobre as leis e ações governamentais e não-governamentais. O que temos feito por nossas crianças e jovens? O que queremos para o futuro dos jovnes em situação de vulnerabilidade social e cultural? No artigo procuro discutir estas questões para que possamos refletir sobre nossas práticas enquanto indivíduos dotados de direitos e deveres. A linguagem usada no artigo é acadêmica, se quiserem saber em linhas gerais leiam o resumo abaixo e quando tiver um tmpo a mais clique no continue lendo...
por José de Oliveira Júnior

RESUMO

A partir de um trabalho realizado como Educador Social de Rua na Organização Não-Governamental, Projeto Alternativo de Apoio a Meninos e Meninas de Rua de Maceió - PAAMMRM, Centro Erê, no final do ano de 2003 até o período de junho de 2004, pude realizar algumas observações participantes e escutar algumas histórias de vida dos meninos e meninas que perambulam pelas ruas da cidade. De posse desse material e tendo a curiosidade cientifica para explanar a respeito desse tema é que surge esse artigo. Esse artigo versa sobre a vida desses meninos e meninas que sem ter para onde ir, e o que fazer habitam a rua e fazem dessa sua morada. Porque meninos e meninas vivem nas ruas? O que leva esses indivíduos terem a rua como habitat? De que maneira se comporta com seus “semelhantes”? Pretende-se conhecer esse universo do cotidiano para que possamos refletir sobre a condição humana de indivíduos que tem leis específicas, como é o caso do Estatuto da Criança e do Adolescente criado no ano 1990, e grupos de “defesas” instituídos, mas não possuem proteção contra a violência que sofrem diariamente nas ruas. A exclusão social causado pelo sistema vigente no atual Estado brasileiro e, mais particularmente no Estado de Alagoas, deixa em condição de marginalidade e miserabilidade crianças, adultos e velhos. Somos violentados a todo tempo e a toda hora. A violência que crianças, jovens e adultos vivenciam nas ruas acontece de diversas formas, ela é simbólica e física.

Palavras-chave: Violência, Cidadania, Cotidiano, Cidade e Sociedade.


1. INTRODUÇÃO

(...) Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios suplicados. Todos nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa que os suplicou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal que também somos (...) seremos sempre servos da malignidade destilada e instalada em nós... (?)(Ribeiro: 1998, pág. 120).

Durante alguns anos a população que vive nas ruas da cidade de Maceió vem aumentando significativamente. O aumento dessa população é tão crescente e visível que se torna fundamental investigar essa situação para melhor subsidiar ações de órgãos governamentais e não-governamentais voltadas para mudar esse quadro. No final do ano de 2003 passei a trabalhar como Educador Social de Rua no Projeto Alternativo de Apoio a Meninos e Meninas de Rua – PAAMMRM, Centro Erê, permanecendo nessa instituição até junho de 2004. O intuito dessa observação foi entender o porquê da vida nas ruas e o que leva a organização desses indivíduos em grupos.

Decorridos alguns meses de observação e participação dentro dessa instituição passei a conviver com essa realidade cotidiana vivida pelos meninos e meninas que freqüentam a Praça dos Martírios e a Feira do Rato. Desde então sentimos a necessidade de descrever, compreender e analisar a vida desses indivíduos. Essas pessoas transformam a rua em casa. A cada ano que passa muitos indivíduos buscam a rua para sobreviver.

Por não se conhecer quem são, quantos são, como vivem, etc., pretende-se descrever os locais onde esses indivíduos perambulam e habitam para que se possa ver mais de perto e analisar essa realidade. No Estado de Alagoas não existem dados suficientes registrados a respeito dessa população e sobre a realidade que vivenciam. De onde vêm, porquê vieram, porquê permanecem. Pesquisamos dados existentes junto aos órgãos municipais, estaduais e das organizações não-governamentais para avaliar como essa problemática vem sendo monitorada e considerada através desses órgãos.

Procurar-se-á compreender o universo de vida e cotidianidade dos meninos e meninas que moram nas ruas de Maceió-AL, tomando como foco de observação a Praça dos Martírios e a Feira do Rato. Buscaremos uma compreensão do cotidiano destes indivíduos que constroem a marginalidade da história desse Estado. Quando falamos sobre marginalidade queremos nos referir aqueles indivíduos que estão à margem da sociedade e da cultura e que são excluídos do processo de construção social e cultural. Daquele que “vive fora do âmbito da sociedade ou da lei, como vagabundo, mendigo ou delinqüente” (Ferreira, 1986: pág. 1092). Um indivíduo marginal. A exclusão social provoca uma acentuada desorganização no modus operandi de uma sociedade causando, com isso, uma forte desestruturação e desorganização na vida dos indivíduos. Pretende-se ir à busca dos acontecimentos e dos significados que levaram esses indivíduos ter a rua como casa.

2. ESTAR NAS RUAS

Inquietando-se com essa realidade de vida cotidiana e tendo conhecido e conversado com vários transeuntes habitantes da rua (meninos e meninas), surgiu à curiosidade científica de construir a dinâmica interna desse grupo mostrando como vivem, dormem, comem, conseguem dinheiro para uso de drogas, exercem suas regras, normas, convenções, liderança, organização, etc.
Na cidade de Maceió-AL o índice de meninos e meninas que moram nas ruas vem aumentando consideravelmente. Esses indivíduos buscam as ruas como alternativa de sobrevivência. Na Praça dos Martírios e na Feira do Rato no coração da cidade esses indivíduos se organizam e criam códigos grupais baseados em hierarquias sociais.

Os meninos (as) que elegeram a Praça como sua morada (casa) vive em grupo e compartilham seus sofrimentos. A maioria desses indivíduos durante o dia dorme, perambulam pelas ruas em busca de dinheiro e comida. Os comportamentos são os mais dispares possível. Riem e choram com muita “facilidade”. Compartilham entre si os amores e desamores. São indivíduos independentes e seguem o que o instinto e a necessidade ordenam.

O uso da cola é o fator predominante entre esses indivíduos e, além da cola utilizam maconha (canabis sativa), pedra (comprimidos antidepressivos), crak, álcool. Não existe distinção dos sexos na utilização das drogas, todos usam e compartilham o uso.

Como acontece em todo grupo um líder é sempre eleito. E se tratando da vida nas ruas a coisa não poderia ser diferente. O líder é sempre o mais velho do grupo. Porém, a disputa pela liderança acontece de tempos em tempos. O líder é respeitado, mas o seu posto é sempre cobiçado.

Os meninos estão sempre disputando entre si para impor respeito e autonomia. Vão em busca de comida, dinheiro, drogas. Tem uma vida sexual bastante ativa e procuram manter o poder através do sexo.

As meninas têm um papel “secundário” nessa morada. Perambulam em busca de comida, dinheiro e drogas. Sexualmente são muito ativas e relaciona-se com vários parceiros ou elegem um companheiro. Foi observado que muitas meninas tem corte por todo o corpo, quando perguntadas sobre esse fato disseram-nos que se cortavam quando estavam muito triste ou se sentindo angustiada com alguma coisa ou algo.

A condição desses meninos (as) nas ruas são a pior possível. A maioria fugiu da violência causada por seus pais. Estão nas ruas por falta de apoio e proteção. São seres incompreendidos que sofreram (sofrem) pelo descaso e omissão da Família, do Estado e das Entidades que deveriam cuidar de seu bem estar. A maioria desses indivíduos sente o desejo e a vontade de sair das ruas, porém esbarram na falta de apoio e proteção.

Os transeuntes da praça são pessoas de todos os tipos e credos. Alguns tentam ajudar os meninos (as), outros vão à busca de drogas, sexo e diversão. Na praça já chegamos a fazer uma contagem de 29 pessoas. Entre esses vinte e nove estão crianças de 0 a 05 anos de idade, adolescentes da mais variada faixa etária e adultos.

A vida na feira é o “oposto” da praça. Na feira a situação é gritante. Também vivem em grupo, porém se dividem em subgrupos. Perambulam pelas ruas da cidade em busca de comida, dinheiro, sexo e drogas. Na feira as coisas acontecem e os indivíduos fazem acontecer a todo tempo e hora. Como na praça, na feira também existe um líder ou vários lideres.

Utilizam todo tipo de drogas, mas a dominante é a cola. Certa vez foram observados na redondeza alguns pés de maconha (canabis sativa). Não soubemos se era plantado pelos meninos (as) ou, se algum barraqueiro tinha plantado.

Na feira existe um Senhor chamado Seu Biu, (José Benedito Moura) ex-militar que tem uma barraca onde vende TV. Esse senhor “ajuda” e dá guarita aos meninos (as). Empresta dinheiro, guarda as roupas, permite que durmam na barraca etc. Resolve as broncas que ocorre com os barraqueiros e polícia. É considerado como “pai” para esses meninos (as).

Pela tarde o clima da feira é bem pesado. O uso de drogas é bem alto e o roubo acontece freqüentemente. O roubo feito pelos meninos (as) é passado para transeuntes bem aparentados que exploram a miséria alheia.

Os meninos da feira são muito mais aliciados para o roubo, venda de drogas etc. Estão sempre em brigas e disputas. Violentam-se uns aos outros.

As meninas vendem seus corpos em busca de ninharias. Utilizam todo tipo de drogas e traficam para si e seus companheiros. São constantemente violentadas.
A condição humana na feira entre esses meninos (as) é deplorável. A violência ocorre constantemente.

Na feira já chegamos a contar 25 pessoas. Entre essas pessoas encontram-se crianças de 08 a 12 anos de idade, além de adolescentes e adultos.

Diferente da Praça, na Feira esses indivíduos ficam mais dispersos e são mais agressivos, além de praticarem mais atos ilícitos como, por exemplo, roubo, tráfico, prostituição, etc. A idade também é semelhante aos da Praça. Na Feira a realidade é mais cruel. Aqui eles perdem a inocência mais cedo e se tornam àquilo que a sociedade quer que eles se tornem: marginal. Na Feira não há lugar para diversão, mas sim trabalho. A maioria desses indivíduos vem de uma família miserável, desestruturada e sem perspectivas de futuro em suas vidas.

Nos dias atuais, os meninos e meninas que habitavam a Praça foram expulsos do lugar após a construção do novo prédio do palácio do governo e da reestruturação da praça. Onde foram parar esses meninos e meninas?

Por isso, segundo Goffman (1975: pág. 11) “(...) A informação a respeito do indivíduo serve para definir a situação, tornando os outros capazes de conhecer antecipadamente o que ele esperará deles e o que dele podem esperar”. E porque, “(...) somente indivíduos de determinado tipo são provavelmente encontrados em um dado cenário social” (op.cit., pág. 11).

3. O QUE DIZ A LEI

Através da observação participante, o cotidiano desses indivíduos (meninos e meninas) de rua foram registrados para que possamos conhecer mais de perto, através das próprias percepções e experiências deles mesmos quem são, de onde vêm, porquê estão nesta situação, porquê permanecem nessa condição de marginalidade. Porquê meninos e meninas que possuem legislação para garantir seus direitos são encontrados nesse cenário social?

A questão da criança e do adolescente encontra na Constituição Federal de 1988 um bom respaldo sobre o cuidado e a proteção que devemos manter com nossos menores em situação de vulnerabilidade social. A obrigatoriedade em proteger os direitos de crianças e adolescentes é enunciada freqüentemente, destacando-se o artigo 227, que diz o seguinte: “é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.

O Estado manifesta seu compromisso como promotor dos direitos infanto-juvenil, através de programas e serviços de assistência integral à criança e ao adolescente, com a participação da sociedade civil. Porém, esta assistência deveria ser para todos que dela necessitam, não para aqueles que o Estado consegue capturar.

No ano de 1985 é fundada uma organização não-governamental, popular, autônoma, composta de voluntários, que através da participação das próprias crianças e adolescentes, buscam a conquista e a defesa de seus direitos de cidadania, é o Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua.

O MNMMR não tem um lugar de nascimento específico no Brasil, ou tem um único fundador, ele é fruto de determinações históricas e articulação de grupos de base de educadores de rua ou engajados em diversos programas de atendimento; construído por diversas pessoas, independente de credo e crenças, técnicos de instituições oficiais e agentes sociais comunitários que desenvolviam no início dos anos 80 as experiências alternativas de atendimento a meninos e meninas em situação de rua.

Nos fins dos anos 70, a situação da infância e da adolescência pobres, a chamada “questão do menor” ou do “menino de rua”, já havia se tornado um problema social grave e complexo. O processo de modernização, industrialização e o modelo de desenvolvimento adotado pelo sistema capitalista geraram um crescimento acelerado das cidades, formando as grandes metrópoles e a concentração de renda, acentuando os níveis de pobreza.

O MNMMR está presente em 25 dos 27 Estados. Possui cerca de 80 comissões locais cadastradas, congregando cerca de 800 educadores filiados. As comissões locais utilizam, normalmente, espaços cedidos por outras organizações da sociedade civil ou residências dos próprios ativistas e educadores.

No ano de 1990 é criada a lei nº 8.069 que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente sancionado pelo Presidente da República. Nessa legislação é determinado no Título I, Art. 3º, que: “A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral...” (1997, pág 15). Mais adiante, nesse mesmo estatuto, no Título II, Capítulo I Art. 7º determina que: “(...) A criança e o adolescente têm direito a proteção a vida e à saúde...” (Idem, pág. 17). E ainda no Capítulo III, Seção I, Art. 19º esta escrito que “(...) toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes” (Idem, pág. 20). A lei existe para garantir direito a esses indivíduos, no entanto, o fato de estarem nessa situação na qual vivem, na rua, sem proteções familiares, sanitárias e educacionais reflete as próprias contradições do contexto social a que estão inseridos. Essas crianças e adolescentes vivem em situações de risco e sem perspectivas futuras em termos de cidadania.

De acordo com Heller (1992: pág. 02) “(...) A sociedade não dispõe de nenhuma substância além do homem, pois os homens são os portadores da objetividade social, cabendo-lhes exclusivamente a construção e transmissão de cada estrutura social”. Dentro da história construída pelos seres humanos, a história de vida de um grupo ou de uma sociedade nos serve como explicitação da essência humana. Os meninos e meninas moradores de rua constroem uma estrutura de vida viável, nossos questionamentos pontuam acerca de como concretizam este fato.

A existência desse grupo e seu modo ou, estilo de vida, bem como as problemáticas que os motivaram para optarem por situarem-se à margem da sociedade. Será investigado os fatos concretos expressos no cotidiano de vida através do comportamento e experiências que vivenciam no cotidiano. “(...) A vida cotidiana (...) (é) como uma realidade interpretada pelos homens e subjetivamente dotada de sentido para eles na medida em que forma um mundo coerente” (Berger: 1985, pág. 35). Por exemplo, à nível de organização política desses grupos, já foi registrado em pesquisa de campo preliminar a existência de um líder, no caso da Praça, e no caso da Feira do Rato, mais de um líder atua entre os adolescentes e crianças daquela localidade.

4. REFERENCIAL TEÓRICO:

Na vida cotidiana, o mundo é tomado não só como realidade concreta pelos membros que estão na sociedade, mas a ação subjetiva é dotada de um sentido que marca para sempre a vida (Berger, 1985; Goffman, 1988). O mundo se origina no pensamento e na ação dos indivíduos e por eles são vivenciado e considerado real.

Sendo assim, as identidades dos indivíduos passam a ter uma qualidade de identificação compartilhada no grupo social ao qual escolheram fazer parte para vivenciar suas emoções e realizar práticas cotidianas. No caso dos meninos e meninas de rua, percebe-se que os caracteres próprios e exclusivos dessas pessoas são estigmatizados, fazendo com que esses indivíduos estejam na condição de inaptos para a aceitação social plena.

De acordo com Goffman (1998, pág. 11),
Os gregos (...) criaram o termo estigma para se referirem a sinais corporais com os quais se procurava evidenciar alguma coisa de extraordinário ou mau sobre o status moral de quem os apresentava. (...) Atualmente, o termo é amplamente usado de maneira um tanto semelhante ao sentido literal original, porém é mais aplicado à própria desgraça do que à sua evidência corporal.

Assim, a perspectiva adotada parte da concepção que a condição de estigmatizados dos meninos e meninas moradores de rua se relaciona ao status moral que ocupam enquanto excluídos e marginalizados na nossa sociedade.

Esse estudo investiga um significativo fenômeno urbano contemporâneo através de uma perspectiva aparentemente simples de fatos e dados singulares que fazem parte da vida cotidiana de indivíduos, valorizando, com isso, tanto aspectos qualitativos dessa realidade, através das experiências e percepções que eles possuem, bem como dados quantitativos dessa problemática, buscando mostrar a complexidade da vida humana e seus significados para a vida social e cultural.

Para Da Matta (1991, pág. 17):
... ‘casa’ e ‘rua’ são categorias sociológicas para os brasileiros, (...) entre nós, estas palavras não designam simplesmente espaços geográficos ou coisas físicas mensuráveis, mas acima de tudo entidades morais, esferas de ação social, províncias éticas dotadas de positividade, domínios culturais institucionalizados e, por causa disso, capazes de despertar emoções, reações, leis, orações, músicas e imagens esteticamente emolduradas e insípidas.

Nossa herança mais terrível é a de levarmos sempre conosco a marca de um torturador que foi impressa em nossa alma e que esta sempre pronta para explodir em uma certa brutalidade dentro da sociedade, contra os indivíduos. Qualquer Ser desprovido de si passa a ser ninguém ao ver-se reduzido a uma condição desumana.
Velho (1987: pág. 17) coloca que,

(...) A Revolução Industrial, propriamente dita, criou um tipo de sociedade cuja complexidade está fundamentalmente ligada a uma acentuada divisão social do trabalho (hierárquica, grifo meu), a um espantoso aumento da produção e do consumo, à articulação de um mercado mundial e a um rápido e violento processo de crescimento urbano (Hobsbawn, 1975). Quando estiver falando em sociedade complexa industrial moderna estou me referindo ao tipo de sociedade surgida desse processo (...).

As cidades contemporâneas são a expressão desse modo de vida incorporados pelos mais diversos grupos e indivíduos. A vida nas cidades, com sua heterogeneidade produz um cenário social e cultural com uma gama de variedade de experiências, costumes e estilos de vida. Dessa forma as ciências sociais passaram a desenvolver conceitos e instrumentos de investigação da realidade que nos fornece a possibilidade de produzir conhecimento sobre experiências sócio-históricas específicas.

Enquanto em determinadas culturas ou sub-culturas o indivíduo se torna foco de uma ideologia central, em outras acontece o contrário. Essa função se torna uma peculiaridade econômica, política e simbólica. A noção de que os indivíduos escolhem ou podem escolher é a base para que se possa pensar no ser humano - menino e menina de rua - como uma idéia de categoria do todo e hierárquica. Ao mesmo tempo produto e reflexo de um contexto sócio-histórico contemporâneo.

E, sendo assim, quando se fala em hierarquia pode-se perceber que No estudo sociológico das pessoas estigmatizadas, o interesse esta geralmente voltado para o tipo de vida coletiva, quando esta existe, que levam aqueles que pertencem a uma categoria particular (Goffman: 1988, pág. 30). É nessa perspectiva que esse estudo pretende focalizar tanto a sociabilidade, a vida social e coletiva, que esses meninos e meninas de rua vivenciam para ter uma compreensão do que e como é desenvolvida e construída a categoria particular que eles pertencem dentro do contexto urbano.
Isto, porque,

(...) Muitos fatos decisivos estão além do tempo e do lugar da interação, ou dissimulados nela. (...) o individuo terá que agir de tal modo que, com ou sem intenção, expresse a si mesmo, e os outros por sua vez terão de ser de algum modo impressionado por ele (Goffman: 1988, pág. 12).

As proposições de Goffman (1988, pág. 21) dizem que (...) A sociedade está organizada tendo por base o principio de que qualquer indivíduo que possua certas características sociais tem o direito moral de esperar que os outros o valorizem. Isto, porque, (...) A vida cotidiana é a vida de todo homem. Todos vivem, sem nenhuma exceção, qualquer que seja seu posto na divisão do trabalho e físico (Heller: 1992, pág. 17)

A vida em sua cotidianidade é a vida do ser humano como um todo. O ser humano ao se inserir na vida cotidiana leva consigo todos os aspectos inerentes a sua individualidade e de sua sociabilidade. O indivíduo cotidiano é fruidor, ativo e receptivo, porém não têm tempo nem possibilidade de se perceber como parte e todo de uma sociedade. Pois, (...) a significação da vida cotidiana, tal como seu conteúdo, não é apenas heterogênea, mas igualmente hierárquica (Idem, pág. 18). Assim, a preocupação teórica dessa pesquisa também perpassa a questão da compreensão da hierarquia enquanto status estigmatizante de marginalidade que meninos e meninas de rua estão inseridos num contexto urbano, bem como focaliza relações hierárquicas dentro das próprias relações sociais que eles interagem entre si.
De acordo com Heller (1992):

(...) O homem nasce já inserido em sua cotidianidade. O amadurecimento do homem significa, em qualquer sociedade, que o individuo adquire todas as habilidades imprescindíveis para a vida cotidiana da sociedade (camada social) em questão. É adulto quem é capaz de viver por si mesmo a sua cotidianidade (pág. 18).

No caso desse universo das ruas a capacidade e habilidade que os indivíduos vivenciam a sua cotidianidade pertence a um estilo de vida que não necessariamente esta na fase adulta de suas vidas. Há uma sociabilidade que deve ser investigada para exatamente se compreender como essa cotidianidade é construída e vivenciada.

O mundo é formado por múltiplas realidades criadas pela cultura e pelo individuo. E, sendo assim, (...) Entre as múltiplas realidades há uma que se apresenta como sendo a realidade por excelência. É a realidade da vida cotidiana (Berger: 1985, pág. 38).A realidade cotidiana da rua é vivenciada por uma determinada categoria de indivíduos estigmatizados.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Existem diversos fatores que podem levar uma criança, adolescente ou adulto a viver e morar nas ruas. Desestruturação familiar, devido à falta de trabalho, moradia, e falta de condições de alimentação e saúde. Descaso do Estado e falta de políticas públicas voltada para população em situação de vulnerabilidade social. Desestruturação dos movimentos reinvidicatórios. Dentre diversos outros fatores.

O Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua passa por um grande desafio na atualidade: como contribuir para a melhoria e bem-estar de crianças e adolescentes em situação de rua?

Quando surge o MNMMR a luta era clara e efetiva. Porém, quando esse movimento se estrutura e consegue se expandir por todo o país mobilizando e sensibilizando, começa o verdadeiro desafio. Ao longo dos anos muito foi conquistado e muito desperdiçado. Em Maceió o MAMMR (Movimento de Apoio a Meninos e Meninas de Rua) após algumas crises internas se dissolve e a luta para ajudar esses meninos e meninas fica nas mãos de organizações de caráter duvidoso que precisam fazer mais e cobrar mais. De acordo com algumas meninas tem dono de organização não-governamental no município que abusam sexualmente de seus corpos, o que fazer? O que tem sido feito?

A mortalidade de crianças teve índices inaceitáveis na década de 80; a educação não era acessível a todos, como ainda não é, e muitos ficavam doentes por problemas ligados à falta de saneamento básico. As ruas estavam repletas de crianças e adolescentes que aí moravam ou trabalhavam e os jornais reproduziam inúmeras notícias da violência nas Febens de todo o país.
Iniciou-se uma mobilização social que chegou fortalecida ao Congresso Nacional no momento em que os deputados e senadores escreviam uma nova constituição federal. A constituição aprovada em 1988 incluiu um artigo, o 227, que definia a criança como prioridade nacional. Os direitos básicos da criança e do adolescente tinham que ser regulamentados numa legislação totalmente diferente do antigo Código de menores.

Alguns anos antes do Estatuto da Criança e do Adolescente ser escrito, os países ligados às Organizações das Nações Unidas (ONU) se juntaram para escrever as “Regras de Beijing”. Nesse Pacto, vários países do mundo concordaram que as crianças e adolescentes que se envolvessem em crimes deveriam ter um tratamento judicial diferenciado dos adultos. O ECA incluiu as idéias principais desse pacto na redação dos seus artigos, garantindo o direito do jovem ser julgado por seu crime, tendo, um advogado para defendê-lo. Caso fosse provada a infração, o adolescente receberia uma medida sócio-educativa, ou seja, uma punição. A gravidade do ato infracional é que determina se essa medida é mais dura ou mais leve cabendo ao juiz da infância e da adolescência a decisão final.

Nessa nova concepção de cidadania a sociedade é vista como um elemento participante no processo de luta pela garantia efetiva dos direitos humanos. Sendo assim, essa participação se dá a partir da atuação individual de cada cidadão, mas principalmente através de instituições especialmente desenhadas para servirem como ligação entre sociedade e Estado, no trabalho de transformação do que está na lei em realidade.

Hoje os meninos e meninas de rua não têm mais a Praça dos Martírios como morada, pois foram expulso dessa, devido à nova urbanização do local, porém a Feira do Rato continua cada dia mais habitado por esses indivíduos. Para onde foram os da Praça dos Martírios? Agora estão em todos os lugares da cidade, alguns adotaram a Praça Deodoro e a Praça da Faculdade como sendo seu mais novo habitat, outros perambulam pelas ruas em busca de comida, dinheiro, drogas, “liberdade”.

A partir do que foi observado, ouvido e vivido podemos perceber que a vida nas ruas por si só já é uma violência sem precedentes. Os meninos (as) que elegeram as ruas como sua casa estão nessa condição devido ao descaso e omissão, bem como, uma falta de organização sócio-cultural-familiar.


6. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BERGER, Peter & LUCKMANN, Thomas. A Construção Social da Realidade: tratado de sociologia do conhecimento. Petrópolis: Vozes, 1985.
DA MATTA, Roberto. A casa e a rua. – 4ª ed. – Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S. A., 1991.
DESLANDES, Suely et alli. Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.
Estatuto da Criança e do Adolescente. Justiça da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro. Universidade Salgado de Oliveira. Departamento de Ciências Jurídicas, 1997.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. –14ª ed. – Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira S/A, 1986.
GOFFMAN, Erving. A Representação do Eu na vida cotidiana. Petrópolis: Vozes, 1975.
GOFFMAN, Erving. Estigma. Notas sobre a manipulação da Identidade Deteriorada. – 4ª ed. – Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1988.
HELLER, Agnes. O Cotidiano e a História. – 4ª ed. – Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
VELHO, Gilberto. Individualismo e Cultura. Notas para uma antropologia da sociedade contemporânea. – 3ª ed. – Rio de janeiro: Jorge Zahar Editor, 1994.

6.1. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

ALMEIDA, Luiz Sávio de. A História Escrita no Chão. Maceió: EDUFAL, 1997.
ARTAUD, Antonin. O Teatro e seu duplo. São Paulo: Martins Fontes, 1993.
CARVALHO, Cícero Péricles de. Formação Histórica de Alagoas. Maceió – Alagoas: Ed. Grafitex, 1980.
FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. – 8 a ed. – São Paulo: Martins Fontes, 1999.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: PAZ e TERRA, 1983.
CHIZZOTTI, Antonio. Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais. – 5ª ed. – São Paulo: Cortez, 2001.
CARDOSO, Ruth C. L. et alli. A Aventura Antropológica. Teoria e pesquisa. Rio de Janeiro, 1986.

26 de fevereiro de 2010

DO PIOR AO MELHOR X - SUPERAR





NO EPISÓDIO ANTERIOR...

Antes de ir ao consultório, pela primeira vez, um pouco tensa para saber como serão os remédios para combater o HIV e também para saber quem será seu médico, Adriana encontra, mais uma vez Ângelo e resolve ficar fazendo “hora” com ele em um dos terminais da cidade.

Enquanto isso, do outro lado da cidade, José tentava, mais uma vez, deixar claro para a mãe que a Nataly era apenas uma amiga e que ela não era o amor da vida dele e sim uma pessoa muito querida. Tiveram de interromper a conversa porque o “motivo” da discussão tinha acabado de chegar.




- oi Nataly como vai? Quanto tempo sumiu não é?

- Tudo ótimo Dona Silvia. Tá com a cara boa!! E pelo jeito tava mesmo com saudade de mim. Estive aqui há quinze dias e a senhora fez um pudim ma-ra-vi-lho-so!!!

As duas trocaram beijos à porta. Nat entrou e deu de cara com Júnior. Sentiu uma coisa um pouco estranha. Um sentimento de angústia, uma coisa ruim. Teve vontade de não ficar ali. Pensou em chamar ele para sair, mas depois achou que isso poderia travá-lo na hora de desabafar. Como “cuecão” que se considerava José tinha desde a infância algumas dificuldades em externar sentimentos e afetos de forma mais explícita. Apesar do pai não ser muito dado a machismos, ele tinha uma natureza exacerbadamente masculina e em alguns aspectos ele se identificava muito com os padrões culturais de demonstração de força e auto-suficiência. O Homem na verdade era um Super-Homem. Justamente porque ele tinha tudo para ser homofóbico e excessivamente sacana com as mulheres que Nataly o admirava. O Zé era muito esforçado e queria sempre ser super respeitoso tanto com gays quanto com mulheres. Em muitos momentos de discussão que eles tiveram ele reconheceu traços machistas e ela sentia que ele empenhava-se em corrigi-los.
Na adolescência José contava algumas piadas de mulher e bicha. Em um desses dias Nataly ficou picada porque ele fez questão de contar uma piada horrorosa perto de um amigo que eles desconfiavam ser gay. Nataly, profundamente ofendida com o teor do gracejo teve uma discussão séria com ele que quase abalou a amizade. Depois deste episódio os dois ficaram um tempo sem se falar. Quando fizeram as pazes para surpresa de Nataly ela viu José repreendendo outros amigos quando estavam juntos. Ela lembra bem de uma noite em uma pizzaria quando Edson estava atraindo a atenção de todos com charadas e pegadinhas e ai disse:

- Vou agora contar uma piada de bicha.

José disparou:

- Veja bem o teor porque estamos em um número grande de pessoas e alguém pode se ofender. Ou podemos rir de alguém e isso é péssimo para a auto-estima de todo mundo.

Edson partiu para o ataque:

- Trocou de time Zé?

- Não Edson apenas aprendi com uma amiga que nossa boca e nossa risada pode ser uma arma para ofender e destruir sentimentos. E este tipo de ocasião é que esta tentação ocorre. Eu mesmo já fiz isso uma vez ; eu contei uma piada de gay para ver qual era a reação de uma pessoa para ver se ele era ou não. Eu pensei que se ele risse e contasse outra ele era macho como eu. E esta amiga me mostrou que eu poderia estar só incentivando a pessoa a se achar uma merda! E me diga que graça tem isso?

Todos ficaram silenciosos. Ai Nataly complementou:
- Depois somos super bem informados e não temos mais tempo para ficar rindo dos outros, vamos rir juntos. E outra porque não aproveitarmos o momento e nos conhecer mais um pouquinho? O que cada um pensa sobre a vida e o mundo? O Zé já começou contando este episódio de aprendizado em que ficou envergonhado. Alguém tem outro? Se não tiver eu mesmo vou contar.....

Com esta lembrança passando em segundos em sua cabeça Nataly desistiu de chamar o amigo para sair de casa. Correu na direção dele e disse:

- Zé meu amigo camarão!! Como c tá queimado!! E ai?Vamos conversar na piscina? Kkkkkkkkkkkkk calma...na parte coberta na área da churrasqueira!! Não vou te expor ainda mais ao sol!!

- É uma boa pode ser!! Gostei da idéia.

Dona Silvia disse:

- Ótima idéia! Eu vou aproveitar e fazer uma faxina rápida naquele quarto dele. Aproveitarei que você tá aqui menina para preparar aquele pudim!! Vão lá !!


Ao se dirigirem para a área externa o rapaz pensou sobre o que dizer. Como começar? Como conversar com a amiga? O que dizer? Ele tinha vontade de chorar. Aquilo era normal? Ele só queria chorar. Sentia um vazio. Não entendia a vida e não entendia os sonhos. Estava muito confuso. Porém, algo lá no fundo dizia que depois da conversa com a amiga as coisas ficariam mais aliviadas. Ele precisava dividir com alguém aquele peso. Precisava acessar outras formas de ver as coisas. Sua amiga parecia ter este dom. Ela sempre mostrava para ele que outras maneiras de viver e acreditar em coisas são possíveis.

Na verdade, José, resolveu recorrer “a irmã do coração” soltando para ela um pedido para ir ouvi-lo desabafar. Realmente, José (Júnior) sentia que iria estourar com tanta pressão sobre seus ombros. Tudo parecia descambar mais para uma depressão. O ano não estava sendo muito bom. Teve dificuldades na Universidade em algumas disciplinas, sentia vontade de se divertir mais que estudar tinha a sensação de que passou muitos anos sendo sério para entrar no Curso de Odontologia e agora parecia que tudo aquilo não fazia sentido. Ele parecia não estar satisfeito com a vida acadêmica. Mas, estava feliz na vida amorosa comemorando ter conhecido Adriana. E aí vinha outra pancada: ela era soropositiva!!!

Finalmente ao chegarem na área externa puxaram cada um uma cadeira. Nataly ia sentar mas perguntou:

- Tem limão?

- Ai no freezer tem.

- Ah vou fazer uma limonadinha para a gente enquanto te escuto falar pode ser?

- Boa idéia. Aproveite e bote um pouquinho de Vodca.

- Gato depois que a gente conversar podemos até tomar uma caipirinha mas só depois viu?! Agora é limonadinha para dar uma esfriada na tensão!

- Ok amiga. Ok. Preciso mesmo esfriar esta tensão. Não sei o que acontece comigo, não sei nem por onde começar. Estava parecendo que ia ter um namoro tão tranqüilo com Adriana. Até pensei que um dia eu poderia terminar com ela. Tive a sensação de que mesmo se terminássemos ficaríamos amigos. Tudo estava rolando tão bem e aí num piscar de olhos tudo acaba!

- O que foi Zé ela teve recaída e voltou para o troglodita do Alexandre?

- Não acho que pior. Enfim...agora ainda não me sinto forte para te contar. O que posso te dizer que ela me disse algo sobre a vida que leva e aí eu não sei se vou aceitar ou segurar a barra.

- Olha eu não vou te mentir. To morrendo de curiosidade para saber o que é realmente. Mas vou tentar respeitar o fato de você não querer me contar o X da questão. Agora pense no que seu coração diz. Tente se escutar de maneira profunda. É algo que vai impedir vocês de serem felizes?

As palavras de Nataly lembravam exatamente algumas coisas do Sonho com aquela mulher linda. Aquela dama que falava coisas sobre o coração.

- Nataly você tá dizendo mais ou menos algo que tem muita relação com o sonho que eu tive. No meio de um salão uma senhora muito jovem me falava coisas sobre o coração. Eu quero lembrar o que ela disse mais não consigo. Só que agora te ouvindo falar pareceu que eu senti a mesma sensação. Será que eu to ficando louco?

José abaixou a cabeça. Colocou as mãos sobre os olhos e começou a chorar. A amiga que havia terminado a limonada colocou a jarra na mesa e deu um abraço no companheiro e irmão que tanto amava e disse:

- Oh Zé!! Falei isso porque sei que seu coração é enorme e te acho tão corajoso. Sempre te vi vencendo preconceitos. Defendendo pessoas. Às vezes que pisou na bola sempre teve humildade para querer se corrigir. E se Adriana não te fez nada para desagradar e você realmente acha em seu coração que deve viver uma historinha. Porque não? Por que querer eternizar tudo e controlar? Porque a gente tem mania de ter o script da vida? Porque nos achamos Deus? No seu curso de Odontologia vocês não aprendem que a vida é misteriosa? Será que tá tudo explicado.....
Nataly estava extremamente confusa. De onde vinham tantas perguntas? Porque ela não estava conseguindo parar a boca? De onde surgiu aquilo do curso? Ela não queria falar porque sabe que iria ofender o Júnior. Ele não gostava de “ladainhas” sobre a vida. Que impulso era aquele?
Enquanto tudo acontecia em fração de segundos na cabeça dos dois uma canção ecoava. Há poucos minutos Dona Sílvia tinha ligado o som da casa e sintonizado uma rádio local.





DESCULPEM EXCEPCIONALMENTE NESTA SEMANA A POSTAGEM OCORREU NA SEXTA!

CONTINUA NA PRÓXIMA QUINTA A PARTIR DAS 15H




24 de fevereiro de 2010

AVISO!!!

MUDANÇAS NO DIVERSIDADE INTEGRADA!!!




AMIGO INTERNAUTA, ESTAMOS PASSANDO POR UM PERÍODO DE MUDANÇAS E TRANSFORMAÇÕES A FIM DE OTIMIZAR OS CONTEÚDOS ,A SUA NAVEGAÇÃO E TORNAR NOSSO BLOG AINDA MAIS DINÂMICO. POR ISSO, EXCEPCIONALMENTE NO PERÍODO DE 23 A 01.03 ESTAREMOS POSTANDO CONTEÚDOS VARIADOS QUE PODERÃO OU NÃO TER LIGAÇÃO COM A NOSSA ÚLTIMA DISCUSSÃO SOBE CARNAVAL.
REAFIRMAMOS O COMPROMISSO DE POSTAR MAIS UM EPISÓDIO DA SAGA DO PIOR AO MELHOR. AH...E POR FALAR EM NOVO EPISÓDIO, LEMBRAMOS QUE VOCÊ PODE INTERFERIR NOS DESTINOS DOS PERSONAGENS. NA COLUNA ESQUERDA TEMOS UMA ENQUETE EM QUE SUA RESPOSTA PODERÁ (OU NÃO) CAUSAR UMA REVIRAVOLTA NA VIDA DA ADRIANA.



AGUARDEM AS PARCERIAS E NOVIDADES QUE VIRÃO COM AS ÁGUAS DE MARÇO!!




12 de fevereiro de 2010

CHAME GENTE



Chame Gente
Composição: Moraes Moreira


Ah! imagina só que loucura essa mistura
Alegria, alegria é o estado que chamamos Bahia
De Todos os Santos, encantos e Axé, sagrado e profano, o Baiano é carnaval
Do corredor da história, Vitória, Lapinha, Caminho de Areia
Pelas vias, pelas veias, escorre o sangue e o vinho, pelo mangue,Pelourinho
A pé ou de caminhão não pode faltar a fé, o carnaval vai passar
Da Sé ao Campo-Grande somos os Filhos de Gandhi, de Dodô e Osmar
Por isso chame, chame, chame, chame gente
Que a gente se completa enchendo de alegria a praça e o poeta
É um verdadeiro enxame, chame chame gente
Que a gente se completa enchendo de alegria a praça e o poeta
Ah!...a praça e o poeta.

Confira o comentário!

Esta é uma canção que se tornou um hino do Carnaval da Bahia.
Considero-a como um instrumento de integração social, já que faz um chamado democrático, para reunir toda gente "enchendo de alegria a praça e poeta"

"Ah! imagina só que loucura essa mistura"
Mistura essa é a palavra que pode substituir por DIVERSIDADE...
Um momento e um lugar para reunir todas as "tribos", onde todos podem ao seu modo, ao seu estilo comungar da mesma alegria...


Gente de todas as etnias, credos e condição social...
Gente de todos os níveis de maturidade...
Conectados com seus anjos ou animal interior...
Ou o equilíbrio entre eles...
Independente de qualquer coisa, uma festa pra gente...
"Por isso chame, chame, chame, chame gente
Que a gente se completa enchendo de alegria a praça e o poeta
É um verdadeiro enxame, chame chame gente
Que a gente se completa enchendo de alegria a praça e o poeta
Ah!...a praça e o poeta."


Marcelo Bhárreti

11 de fevereiro de 2010

Muito Obrigado Axé - Uma música que reflete Diversidade Etnica



Muito Obrigado Axé
Ivete Sangalo
Composição: Carlinhos Brown

Odô, axé odô, axé odô, axé odô
Odô, axé odô, axé odô, axé odô

Isso é pra te levar no ilê
Pra te lembrar do badauê
Pra te lembrar de lá

Isso é pra te levar no meu terreiro
Pra te levar no candomblé
Pra te levar no altar

Isso é pra te levar na fé
Deus é brasileiro
Muito obrigado axé

Ilumina o mirin orumilá
Na estrada que vem a cota
É um malê é um maleme
Quem tem santo é quem entende

Quanto mais pra quem tem ogum
Missão e paz
Quanto mais pra quem tem ideais e
Os orixás

Joga as armas prá lá
Joga, joga as armas pra lá
Joga as armas pra lá
Faz a festa

Joga as armas prá lá
Joga, joga as armas pra lá
Joga as armas pra lá
Faz um samba

Joga as armas prá lá
Joga, joga as armas pra lá
Joga as armas pra lá
Traz a orquestra

Joga as armas prá lá
Joga, joga as armas pra lá
Joga as armas pra lá
Faz a festa


Confira o comentário



Esta é uma música que reflete a diversidade etnica integrada.
Historicamente o povo brasileiro foi constituído a partir da mistura. Somos Mult-etnicos, somos a mistura.

Ao longo do tempo, o Brasil recebeu povos do mundo inteiro.
A cultura de todos estes povos foi se misturando formando a cultura brasileira.
Um processo dinâmico e contínuo que culmina numa diversidade cultural multi-etnica.

Esta música de Carlinhos Brown interpretada por dois gênios da música baiana-brasileira Ivete Sangalo e Maria Bethânia, com seus estilos diversos, expressa muito bem esta diversidade, na mistura dos elementos culturais diversos da religião, das etnias, das festividades.

De forma geral a música fala de gratidão e fé pela paz vivida a partir de sua religiosidade.

Odô significa obrigado em yorubá e axé paz, equilíbrio entre forças.
A música ressalta a necessidade de conexão com o sentimento de religiosidade para harmônia do ser.


"Isso é pra te levar no ilê
Pra te lembrar do badauê
Pra te lembrar de lá

Isso é pra te levar no meu terreiro
Pra te levar no candomblé
Pra te levar no altar

Isso é pra te levar na fé
Deus é brasileiro
Muito obrigado axé"


O termo Ilê quer dizer Casa. Logo te levar no Ilê quer levar para casa, origem.
"Pra de levar no Candomblé" Candomblé, religião afro-brasileira formada a partir do sincretismo religioso que reúne elementos indígenas, africanos e católicos.

A música usa a expressão "Deus é brasileiro" que quer dizer que o Criador não é exclusivo de nenhuma religião, nenhum povo e cultura, logo é "brasileiro" metaforicamente, considerando a multi-diversidade etnica dos brasileiros, que reúne os povos de todo o mundo em sua constituição. Deus em Yorubá é Olorum.

Esta é uma proposta para percebermos sentido na diversidade exercitando o respeito as diferenças.


"Ilumina o mirin orumilá
Na estrada que vem a cota
É um malê é um maleme
Quem tem santo é quem entende

Quanto mais pra quem tem ogum
Missão e paz
Quanto mais pra quem tem ideais e
Os orixás"


'Orixá' desmembrando o termo significa Ori=cabeça, Xá=Rei, senhor. Senhor da Cabeça, ou mentor, anjo da guarda, guia...
Mirim orumilá é um mensageiro. Observe o casamento entre um termo indígena (mirim) e africano (orumilá).


"É um malê é um maleme"
Malé - mulçamano africano. Maleme - pedido de socorro.
Logo quem faz o convite está funcionando como mensageiro que socorre, que desperta para necessidade de voltar para as origens, para casa interior, para o Self, para integração.


"Quanto mais pra quem tem ogum
Missão e paz
Quanto mais pra quem tem ideais e
Os orixás"


Ogum é o orixá guerreiro, aquele que abre caminhos.
Logo a música diz que para quem desperta para a necessidade de harmonia, integração com suas origens, sua casa interior e tem vontade e se esforça para isso encontra apoio de Ogum, daqueles que abraçam a causa da liberdade, do respeito, que luta pelos ideais, pela paz e harmonia entre os povos.


"Joga as armas prá lá
Joga, joga as armas pra lá
Joga as armas pra lá
Faz a festa

Joga as armas prá lá
Joga, joga as armas pra lá
Joga as armas pra lá
Faz um samba

Joga as armas prá lá
Joga, joga as armas pra lá
Joga as armas pra lá
Traz a orquestra

Joga as armas prá lá
Joga, joga as armas pra lá
Joga as armas pra lá
Faz a festa"


Por fim, sugere que nos desarmemos e nos harmonizemos como a música. express a no samba, na festa, na orquestra.
Que joguemos "as armas prá lá" e que desarmemos o 'Ego Imaturo' de suas defesas egoícas.
Que sigamos o fluxo de nossa verdadeira essência, de nossa Casa Interior, de nosso Ilê, para que então possamos dizer "Odô
, axé, odô" - Obrigado, paz, obrigado!

Por Marcelo Bhárreti

Referências: http://www.cabocloarruda.hpg.com.br/teca/dicionario.htm

4 de fevereiro de 2010

TEma DA SEMANA : MUSICA - INSTRUMENTO DE (DES) INTEGRAÇÃO DA DIVERSIDADE


REDESCOBRIR




A composição de Gonzaguinha na interpretação de Elis Regina nos convida a entendermos a nossa história individual e coletiva como parte de 3 dimensões: biológica –subjetiva (psique)- transcendente (Divino).
Estas partes que aqui fragmentamos são apresentadas de maneira integrada em diversos versos a todo tempo na letra e neste vídeo.
CLIQUE ABAIXO E CURTA UMA DAS ANÁLISES FEITAS NO NOSSO ENCONTRO FILOSÓFICO DE MÚSICA





Elis Regina
Intrepretando composição de Luiz Gonzaga Júnior (Gonzaguinha)
Vídeo de especial da rede globo (1980)

Como se fora brincadeira de roda, memória

Brincadeira- subjetivo, lúdico que nos ajuda a ter contato com nosso animal e nosso lado instintivo// círculo símbolo de completude // memória – área de contato com nossas lembranças e também com questões do incosciente

Jogo do trabalho na dança das mãos macias

O lúdico que nos leva a servir “levemente” os irmãos e irmãs // o tato (das mãos macias) que nos liga a nossa dimensão animal integrado ao subjetivo e transcendente ato de dançar

O suor dos corpos na canção da vida, história

O nosso “lixo corpóreo” – suor é adubo para a vida e nos estimula nesta canção // história nos convida a ter um contato com a dimensão subjetiva de construção de tempo e espaço e de ligação coletiva com tudo e todos// estamos a todo tempo produzindo história

O suor da vida no calor de irmãos, magia

A vida produz adubo e fetiliza-nos o tempo todo // o contato com o transcendente é a chave para perceber e potencializar os benefícios disso é a magia!

Como um animal que sabe da floresta memória

Nossos aspectos biológicos sabem e se comunicam com o nosso subjetivo, principalmente o nosso inconsciente// esta floresta de possibilidades

Redescobrir o sal que está na própria pele macia

Percebermos novamente que somos parte da natureza biológica estamos e somos parte do ecosistema do planeta (o sal da terra está em nosso suor, o calor está no dar as mãos, as línguas disparam o doce das glândulas salivares, etc...)


Redescobrir o doce no lamber das línguas, macias

Aprofundar esta integração de homem natureza individual e coletivamente

Redescobrir o gosto e o sabor da festa, magia

Construir mais seguramente um estado de Felicidade, equilíbrio, serenidade, gratidão e alegria

Vai o bicho homem fruto da semente, memória

A nossa parte natureza integrada com o subjetivo // animal – sombra integrdos

Renascer da própria força, própria luz e fé, memória

Integrar os aspectos a serviço da luz, do verbo, da verdade, do Self, da vida!

Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós, história

Somos parte do todo e o todo está em nós!

Somos a semente, ato, mente e voz, magia

Nosso Self traz a semente do Anjo, nosso atos podem nos ajudar (ou não) a transcender// a força reside em nossa mente

Não tenha medo, meu menino bobo, memória

Medo como paralisia é bobagem. Temer por temer e nunca se desafiar é uma besteira perpertuada! afinal como ela coloca embaixo o temor inicia na própria pessoa então ele só pode terminar em nós mesmos!!!

Tudo principia na própria pessoa, beleza

Vai como a criança que não teme o tempo, mistério

Amor se fazer é tão prazer que é como se fosse dor, magia

Imaginemos viver e fazer o amor o quão prazeroso é?! Mas num mundo mergulhado em outros valores isso pode parecer e ser confundido com dor!// o contato com o divino é necessário para distinguir este caminho de transformação da dor em Amor!

Como se fora brincadeira de roda, memória

Jogo do trabalho na dança das mãos macias

O suor dos corpos na canção da vida, história

O suor da vida no calor de irmãos, magia




AVISO SOBRE A SAGA: DO PIOR AO MELHOR!





AMIGOS EXCEPCIONALMENTE ESTA SEMANA A VII PARTE DA ESTÓRIA DO PIOR AO MELHOR VAI IR AO AR NESTA QUINTA A PARTIR DAS 15H!!!

ACOMPANHE A SAGA DE ADRIANA E RELEMBRE O QUE O PERSONAGEM JOSÉ ESTÁ PASSANDO DEPOIS DE SABER QUE SUA GATINHA É HIV POSITIVO!!



3 de fevereiro de 2010

Um Índio - Quando podemos percebê-lo


QUEM SÃO OS ÍNDIOS DE ONTEM E DE HOJE?

Um Índio
Caetano Veloso
Composição: Caetano Veloso

Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante

Um índio representa os VANGUARDISTAS que estão além do tempo da maioria e por isso mesmo são mal compreendidos. Têm missão com a coletividade e irradiam luz, servindo de guia, de referencial.

Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

Quando nos saturamos de determinados paradigmas...
Quando percebemos incoerências, incongruências e desintegrações...
Quando questionamos o real significado de nossas existênicas...
E percebemo-nos fragmentados e em desarmonia com o universo...

Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá

Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico

Quando tirarmos véus de nossa ignorância...
Só assim teremos condições de perceber ÍNDIOS...
O seu real valor...
Perceberemos como referenciais de integração...
Integrados psicologicamente, com a diversidade e com a vida em suas múltiplas dimensões...
Harmônicos com a natureza dentro e fora dele, perfeito equilíbrio.


Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer
Assim, de um modo explícito

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio

De tão a frente do seu tempo parecerá um ser advindo de outro planeta...

E perceberemos que um dia, hierarquizando a diferença, numa postura etnocêntrica e defensiva não demos o real valor que o possuía por não conhecê-lo em essência.
Outrora, devido aos nossos preconceitos e projeções, acusamo-lo de impostor, de fraude, de pevertido, de vulgar, incivilizado, primitivo e colocamos às margens de nosso meio social por considerarmo-los inferior a maioria, por não corresponder a normalidade paradigmática regente.


Quando tivermos condições de pecebê-los parecerá uma REVELAÇÃO...
Daremos conta de nossa 'cegueira' de outrora, do nível coletivo de maturidade processual.
Então ficaremos surpresos com os ÍNDIOS de outros tempos e teremos condições de perceber os ÍNDIOS de agora, os VANGUARDISTAS por trás dos incompreendidos e atacados que seguem o suas consciências, seu coração na realização dos ideais em função da coletividade.



Marcelo Bhárreti